Contra o unionismo de esquerda

 
A questom nacional e as vias de rutpura democrática que abre som o principal perigo (e o único real a dia de hoje) que pode pôr em questom o regime postfranquista espanhol.

Breixo Lousada.

oite eleitoral do 20 de dezembro, os dous partidos espanhóis emergentes coincidirom em anunciar umha iminente “segunda transiçom”. Se é certo que imos entrar num processo desse tipo, com a atual correlaçom de forças e com essas referências simbólicas (a restauraçom bourbónica), nada parece indicar que vaia ir-nos -como povo e como classe- muito melhor do que nos foi na anterior. Assumir as nossas debilidades à hora de navegar nessa cojuntura é o primeiro passo, e o seguinte poderia ser analisar as  liçons que podemos extraer de experiências passadas e começar a trabalhar para poder situar-nos após esta complicada e estranha fasse política na melhor posiçom possível e assim afrontar o futuro em melhores condiçons. Para isso, é fundamental caracterizar corretamente os diferentes atores e entendermos o papel de cada quem.

Longe de debates terminológicos, assumo que qualquer leitor/a poderá concordar em denominar como “unionista” a quem manifesta como um objectivo declarado da sua açom política o de “garantir a unidade de Espanha”, mesmo chegando a apresentar-se como a única força realmente capacitada para exercer como freio eficiente do soberanismo. Essa unidade é, de feito, um dos eixos do renovado modelo de “país” que teorizárom em campanha tanto as velhas como sobretodo as novas referencias políticas do progressismo espanhol.

Em contraste com isso, a configuraçom do estado ou a questom nacional em geral nom joga atualmente nengum papel efetivo no discurso diário nem na prática política das forças ditas nacionalistas que optárom por alianças estratégicas com a esquerda unionista. Isso é lógico desde o (seu) ponto de vista de evitar conflitos que ameacem a credibilidade da aposta eleitoral, já que tenhem difícil conciliaçom dous projetos que se supom que remam em direçons opostas num assunto tam transcendental e tam vigente como o dos processos soberanistas. Para evitar esse tipo de problemas, avondou com que umha das partes diluisse ou agochasse indefinidamente os seus supostos princípios e objetivos e se limitasse a dar-lhe um verniz local a projetos trasladados desde Madrid. O demagógico argumento foi o de “priorizar a questom social”, como se em Galiza fosse possível abordar realmente esta à margem da nossa dependência nacional.

O paradoxal é que, ao contrário das suas alianças galegas, nom se pode acusar a Podemos de carecer de um discurso “nacional”, mesmo claramente patriótico. O problema (para nós), é que esse patriotismo do que fam bandeira é o espanhol, tentando resignificá-lo à sua maneira mas reforçando ao cabo o projeto nacional (imperial) do Estado. É, de feito, a primeira tentantiva séria de articular desde fora da direita um discurso de reivindicaçom da ideia de Espanha e de identificaçom com boa parte do seu imaginário. A diferença da esquerda espanhola clássica, os novos atores nom evitam falar de soberania, mas fam-no só a respeito da soberania estatal (Espanha ante Alemanha, ante os “mercados”, etc.). É nessa linha que enmarcam a sua defesa da unidade estatal: umha unidade hipoteticamente mais diversa, amável, plurinacional (a nova palavra-fetiche), mas que a fim de contas formula-se basicamente como antídoto contra o independentismo, particularmente o processo catalám que é hoje a principal ameaça ao regime espanhol.  Isso mesmo manifestava-o bem às claras o porta-voz paralmentar do chamado “grupo confederal” no Congresso, quando dizia que a própria existência do mesmo exemplificava que, frente a quem quer “separar”, eles demostravam que se podiam “tender pontes” e unir Espanha na sua diversidade. Todo isto em presença das suas alianças galegas e catalás, que nom virom oportuno matizar ou retificar tais palavras.

Com este e tantos outros exemplos dos últimos meses fica claro que a defensa do direito a decidir que pontualmente e de forma contraditória figérom esses setores políticos nom tivo outro fim que esse mesmo: o tal “reconhecimento” apresentam-no como a única forma de garantir que Espanha siga unida.Umha cesom necessária, digamos, para assegurar que nom mude nada do fundamental.

Como os papeis termam de todo, o que hai que analisar à hora de posicionar-se ante um ator político nom som os seus documentos, mas a prática política concreta. Sendo assim perguntemo-nos: o unionismo “de esquerda” contribui ou dificulta o avance do nosso projeto nacional? Até onde sabemos, e já que tam habituais som ultimamente as comparaçons da nossa com outras realidades, todos os projetos de emancipaçom nacional que conseguirom triunfar ou simplesmente avançar demostram que fôrom/som só as forças próprias as que construem a liberdade dum povo. A esquerda de ámbito estatal polo geral nom tem contribuido a que esses processos progressem, e de feito fixo mais bem todo o contrário. A trajetória (avances e recuos) dos processos de libertaçom dos povos negados polo estado espanhol nom fai mais que confirmar esta realidade histórica.

Nom se negam possíveis concidências tácticas com esses sectores com os que obviamente temos mais proximidade que com os das forças já plenamente integradas no sistema. Com eles poderemos coincidir nas ruas ou nas instituiçons defendendo pontualmente cousas similares, mas isso nom implica obviar que somos projetos diferentes e nom conciliáveis a nível de alianças estáveis. As alianças servem (na teoria) para reforçar-se mutuamente, e o soberanismo galego se quer seguir sendo tal nom pode contribuir a afortalar o unionismo espanhol, diga-se este de direita ou de esquerda.

Hai hoje vozes (realmente sempre as houvo, e de feito durante bastantes anos chegarom a ser hegemónicas) no quadro do nacionalismo que proponhem adiar, rebaixar ou difuminar a questom nacional à espera de tempos melhores. Nom seria a primeira vez que se fai, contribuindo a desideologizar e destensionar a nossa própria base social. Neste caso, está claro que silenciar a reivindicaçom nacional poderia ajudar a tecer alianças cos sectores unionistas, mas seria umha torpeza fazê-lo justo no momento em que mais à vista está o potencial transformador da mesma. As patronais bancárias deixarom-no claro a poucos dias das eleiçons catalás ameaçando co cataclismo que suporia (para os seus interesses, entende-se) a ruptura da unidade de Espanha. Nengum movimento assim se tinha dado antes, nem sequer, por suposto, existiu ante o possível ascenso de Podemos. É evidente pois que a questom nacional e as vias de rutpura democrática que abre som o principal perigo (e o único real a dia de hoje) que pode pôr em questom o regime postfranquista espanhol como garante dos privilégios dumha oligarquia. Ante esta realidade, trabalhar politicamente para apontalar a unidade estatal numha ou noutra forma é objetivamente reaccionário.

A chave do avance social do soberanismo de esquerda foi manter a indisociabilidade entre libertaçom nacional e social, entre soberanismo e esquerda. Justo neste momento seria letal renunciar a essa aposta, e mais ainda fazê-lo só por puro pánico pre-eleitoral. À vista está o serviço prestado ao país por parte dos sectores ditos nacionalistas que optarom por priorizar as vantagens eleitorais que oferecia umha aliança co unionismo de esquerda, ainda que fosse em favor de enfraquecer o projeto nacional galego.

Cumpre, em conseqüência, enfrentar democraticamente e em todos os espaços os projetos políticos que Espanha oferece (com ou sem aliados autóctones) para o nosso país, por muito que estes venham em novos e atrativos envoltórios. Também o do progressismo espanhol que en forma de novo regeneracionismo pretende fazer parte dessa segunda transiçom. Na primeira, soubemos desenmascarar ante importantes sectores do nosso povo o claudicante papel da esquerda estatal e cimentar as condiçons para um avance sólido nos anos posteriores, baseado sobretodo no trabalho social como prioridade ante o institucional, sem que isso suponha negar a importáncia do segundo. Em base a essa coerência e legitimidade ganhada, o nacionalismo foi ganhando espaços sociais e políticos, muitas vezes em detrimento da esquerda espanhola que até mui recentemente nom soubera achar um revulsivo que lhe permitisse (servindo-se também dos erros do nacionalismo, inegáveis) recuperar terreno eleitoral, e algo menos no social.

Nom é momento de agochar a questom nacional, mas ao contrário: é o momento de -com toda a didáctica necessária-, ponhê-la sobre a mesa do debate político como questom central do nosso tempo. Assumindo que as soberanistas somos a dia de hoje minoria, mas com vocaçom majoritária, vontade que começa por acreditar nas nossas próprias forças e ideias. Sermos soberanistas com princípios e objectivos claros, porque a independência é umha urgência a para a sobrevivência da nossa naçom, mas também porque é a única via de escape ante um regime e um sistema cada vez mais opressivo.

Está por ver como se recompom o cenário nos próximos meses e anos e é complicado fazer previsons numha situaçom tam volátil. Mas, se nom podemos evitar (por agora) umha nova operaçom de recomposiçom do regime e forçar a tam necessária ruptura constituínte, polo menos sejamos quem de sair dela nas melhores condiçons para acumular forças em favor dumha transformaçom digna de tal nome. Os tempos políticos mudam mui rápido e o importante será ter umha organizaçom política legitimada, engraxada, mobilizada e preparada para afrontar as batalhas que virám. Sacrificar esse imprescindível trabalho por urgências eleitorais seria suicida. Para percorrer um caminho, o mais importante nom é a velocidade, mas ter claro qual é o destino.

 

Grécia, Thatcher e o fim da história

Cumpre ter em conta que a maioria que votou “nom” na Grécia era consciente de que a vitória da sua opçom podia supor a saída do euro, e isso nom modificou o resultado.

Breixo Lousada

Na Grécia aprovarom-se já três “memorandos de acordo”, mediante os quais os governos gregos se comprometiam a aplicar as medidas anti-populares ditadas pola troika em cada momento. O primeiro deles foi aprovado em 2010 no parlamento grego com 172 votos a favor (de 300). O segundo, em 2012, obtivo 199. O último, nesta mesma semana, obtivo 229 votos afirmativos, e por primeira vez contou co apoio da maioria de representantes de SYRIZA junto aos dos partidos neoliberais. Chama a atençom que medidas cada vez mais agressivas coa maioria social e sem apoio popular significativo contem com um crescente sustento parlamentar, o que dá a medida da desconexom absoluta entre a vontade popular e quem di representá-la nas instituiçons. Mas o que mais está a surpreender estes dias em relaçom a momentos anteriores é a atitude totalmente diferente que está a manter boa parte da esquerda, a começar pola que nuclea o governo grego e toda aquela que a apoia no resto da Europa. Como se explica umha reaçom tam morna neste caso quando foi tam contundente em outras ocasons em que se aplicarom medidas desse tipo? A resposta é bastante triste: foi-se impondo até tal ponto um falso “realismo” nesses setores que hoje está mais consolidada que nunca a máxima acunhada por Thatcher hai 25 anos: “There is no alternative”. De feito, lendo os últimos dias as afimaçons de gente em aparência pouco seguidora das teses Fukuyama, poderíamos pensar que estamos perto já desse “fim da história” do que ele falava para tentar dissipar qualquer tentaçom de questionar a orde dominante após o fim da URSS. A consigna (auto)justificadora é basicamente essa: nada diferente se pode fazer.

Nom surpreende ninguém que os partidos do consenso neoliberal assumam esse discurso, mas é especialmente doloroso ouvir os mesmos argumentos por parte de quem se di de esquerda, mesmo de esquerda radical. Nestes dias nom deixamos de ler explicaçons (mais bem justificaçons) que nom se movem um milímetro desse argumento: “nom hai alternativa”, e portanto Tsipras tivo que ceder porque nom lhe quedava outra opçom.

Tal atitude tem difícil sustento. Se a esquerda nom tivo -logicamente- comiseraçom algumha com -por exemplo- Zapatero quando optou por incumprir o seu programa e obedecer os ditados da UE e o FMI (com a reforma constitucional ou a reforma laboral de 2011 como exemplos mais claros), por que se supom que agora deveríamos ser mais benevolentes con Tsipras e o seu governo? O certo é que a argumentaçom de um e outro é bem similar, se nom idéntica: nom podemos fazer outra cousa, som medidas nom desejadas mas as demais possibilidades seriam muito piores. Agitar o medo ao desconhecido para seguir fazendo-nos tragar a medicina neoliberal é umha táctica habitual da direita, e agora sabemos que também é utilizável por quem se di de esquerda.
Frente a essa propaganda da derrota, o primeiro passo para começar a reconstuir alternativas a este dessolador panorama será deixar de tratar a Tsipras como umha vítima. Sobretodo porque para o seu povo a partir de agora vai exercer o papel de verdugo, e portanto haverá que atuar em consequência.

O valor de um “OXI”

Depois da clara vitória do  “nom” no referendo, muitos sectores da esquerda (tanto dentro como fora de SYRIZA) interpretárom a mensagem e exigírom do governo que atuasse em consequência, obedecendo o mandato popular, cumprindo o seu programa e mesmo radicalizando a sua política no confronto com as instituiçons europeias e o FMI. Porém, e já desde antes da votaçom, parecia provável que umha vitória do “nom” no referendo grego ia ser interpretada polo governo como um mandato negociador para tentar lograr um “bom acordo” coas instituiçons no marco do Euro e da UE, é dizer, na enésima procura da quadratura do círculo. Assim o explicitou o próprio Tsipras, o que deixava claro que o objetivo para ele nom era outro que poder negociar desde umha posiçom de força. O certo é que finalmente nom existiu tal força e o que se consegui foi um acordo ainda pior que a proposta massivamente rejeitada nas urnas. Este possível desenlace foi adiantado por forças como o KKE, mas era facilmente imaginável para qualquer observador nom cegado polas luzes do último fenómeno político de moda. De feito, a própria Plataforma de Esquerda de SYRIZA (com importante peso na sua base) ou outras forças anticapitalistas como ANTARSYA alertárom também contra as tentaçons (pronto consumadas) de converter o “nom” num “si”. Ao mesmo tempo, chamavam na campanha a converter esse “nom” à proposta austeritária num “nom” às próprias instituiçons europeias que tenhem demostrado servir exclusivamente os interesses do grande capital.

Apesar de todas as interpretaçons posteriores e da gestom guvernamental, é óbvio que quem votou “nom” fijo-o fundamentalmente para rejeitar à austeridade, e que o resultado foi umha expressom coletiva de rebeldia e de vontade de soberania real frente às imposiçons. Um voto que supujo umha claríssima polarizaçom de classe (e mesmo geracional), como se comprova analisando os resultados. Foi, portanto, umha vitória popular, ainda que haja que considerá-la na sua justa dimensom. O desenvolvimento posterior dos acontecimentos nom muda nada isso. É inegável que o cenário em caso de ter ganhado o “sim” seria ainda pior ao atual, de derrota quase absoluta para o povo grego. Hoje, com o aval massivo do referendo, a legitimidade popular para combater as imposiçons da troika (e agora também do governo) é indiscutível. Rebelar-se sempre é justo, mas é-o ainda mais sabendo que umha maioria social já tem expressado, mesmo polas vias que habilita o próprio sistema, qual é a sua vontade, ainda baixo a mais brutal ameaça e chantagem. Umha chantagem à que nom quijo submeter-se um povo digno, mas sim, tristemente, o seu governo.

Depois da traiçom da vontade popular, o cenário segue aberto e a partida está longe de rematar, porque parece pouco provável que Tsipras poda seguir governando contra o seu próprio programa em base à atual coaligaçom. Na votaçom para aprovar o memorando, 39 representantes de SYRIZA romperom a disciplina de voto. O mesmo dia, a maioria (109 de 201) de membros do Comité Central assinárom um documento contra o acordo e pedindo umha reuniom extraordinária. Com esta insustentável situaçom, em breve saberemos se vamos a um cenário de nova coaligaçom (o que implicaria umha espécie de governo de concentraçom ou mesmo presidido novamente por um desses chamados “tecnócratas”) ou a umhas novas eleiçons a curto prazo. Em qualquer caso, umha ruptura de SYRIZA e umha recomposiçom no campo da esquerda parece mui provável, veremos em que forma, de que dimensom e em que coordenadas.

O que aprendemos

Se algumha liçom podemos sacar do processo grego, nom é precisamente o citado “fim da história” e a carência de alternativas. Mais bem, o que se constatou foi o fim da ilusom agitada por essa esquerda “europeista” que clamava polo retorno a un lugar que nunca existiu: umha mítica UE democrática e social garante das liberdades e a justiça. O certo é que se nos estados capitalistas europeus existírom certos direitos que estám a ser desmantelados nom foi pola existência da UE, mas ao contrário, apesar dela (e por umhas correlaçons de forças internas e externas que já nom existem). Isto tinham-no claro desde o primeiro momento os actores da esquerda anti-UE (valga a redundáncia) tanto na Grécia como fora dela, que já alertavam de que a estratégia do governo de Tsipras só podia levar a um beco sem saída.

A virtualidade pedagógica de todo o que está a passar na Grécia é justo essa: agora fica todo bastante mais claro, quando menos para quem quiger vê-lo. Nom se pode ser pro-euro e anti-austeridade ao mesmo tempo. Sair da eurozona, deixar de pagar a déveda ilegítima e desobedecer os tratados europeus já nom som só opçons -mais ou menos arriscadas- para a esquerda, som hoje umha imperiosa necessidade, polo menos se quere ser digna de seguir a levar tal nome. Som condiçons mínimas necessárias -mas nom suficientes- para começar a pensar e construir umha sociedade diferente.

Justo essa é a linha que hoje, na Grécia em toda a Europa, delimita a capacidade transformadora dum projeto de esquerda: a atitude ante a UE e a correta definiçom do seu carácter intrinsecamente antidemocrático e antipopular.

Sim que hai alternativas

Ante esta necessidade -e urgência- de propostas audazes, o que mais indigna dos propagandistas da resignaçom é o seu argumento de que qualquer via alternativa, nomeadamente a ruptura co euro ou coa UE, levaria ao desastre. E indigna porque parecem ignorar que o povo -e o grego em particular- já leva bastantes anos sofrendo um desastre que agora vai afondar-se ainda mais.
Os argumentos para negar qualquer alternativa som basicamente dous, vinculados entre si: por um lado, que supostamente umha maioria social apoia a permanência do euro. Por outro, que umha ruptura implicaria consequências catastróficas para a economia.

Sobre o primeiro, dizer que a suposta impopularidade do “Grexit” (ou da saída de qualquer outro país da eurozona) nom deixa de ser um argumento cíclico por parte de quem se negou durante os últimos anos a falar-lhe ao seu povo da possibilidade de ruptura e que agora justifica-se dizendo que “a gente nom apoia isso”. Se a imensa maioria de meios e partidos (também os de esquerda) insistem todo o tempo em que nom hai caminho possível fora da unión monetaria, é lógico que socialmente essa nom seja ainda umha possibilidade assumida de forma maioritária. O apoio social consegue-se com pedagogia, algo que se evitou fazer durante todo este tempo, particularmente desde o governo quando se tivo a oportunidade. Apesar disto, cumpre ter em conta que a maioria que votou “nom” na Grécia era consciente de que a vitória da sua opçom podia supor a saída do euro, e isso nom modificou o resultado.

Quanto às consequências na economia, é certo que umha saída do euro implica muitas dificuldades e novos reptos com os que haverá que lidiar, especialmente se tiver lugar de forma desordenada. Em qualquer caso, hai já umha diferença de raiz entre transitar um caminho soberano e um baseado em imposiçons das grandes potências imperialistas e corporaçons económicas. Só por isso merece a pena tentá-lo. De qualquer modo, cumpre dizer que se nom houvo medidas prévias que preparassem essa saída mais ou menos planificada do euro para reduzir os seus custes, é também por responsabilidade exclusiva de quem bem podia ter previsto que acabaríamos chegando a este ponto. Neste sentido, é de interesse o debate que o Partido Comunista Português está a desenvolver e propor ao povo português nos últimos anos, socializando a necessidade de ir planificando essa saída “ordenada” para minimizar os seus custes.

Mesmo no seio (polo menos de momento) de SYRIZA, foi apresentada por parte da Plataforma de Esquerda umha alternativa à aplicaçom do novo memorando, que parte logicamente da necessidade da saída do euro, mas considerando-o o ponto de partida para um caminho de desenvolvimento alternativo que contempla medidas imprescindíveis nesta altura como a socializaçom do sistema bancário, a recuperaçom do investimento público ou umha política focada à recuperaçom produtiva do país. Independentemente da valorizaçom que cada quem faga sobre as vias alternativas, o que nom se pode negar é que estám sobre a mesa, algo que se chegou a negar estes dias. Querer transitá-las ou nom já será questom de vontade política.

Historicamente, a esquerda só avançou quando foi capaz de sobreporse ao medo e à resignaçom. Quando deu passos cara à frente e se atreveu a abrir novos caminhos, a sair-se da rota marcada e, por que nom, adentrar-se também no desconhecido.

Ou inventamos, ou erramos”, deixou escrito o venezuelano Simón Rodríguez, mentor de Bolívar. Por aqui parece que boa parte da esquerda prefere disfraçar-se, render-se, ou até suicidar-se antes que inventar. Num momento em que o eurocentrismo, que tanto mal fijo historicamente à esquerda, parece golpear com novas forças em forma de absurdo europapanatismo, fai-se mais necessário que nunca olhar para outros continentes onde sim som capazes de trazar alternativas fora dos consensos “realistas” que impom o sistema.

Por suposto, a história nom rematou, pois som os povos quem a escrevem. Como o povo grego, que sai de novo à rua estes dias para botar abaixo as medidas do seu falso “governo de esquerda” e para berrar contra a resignaçom e contra as vias de sentido único que só contemplam o futuro nos marcos do capitalismo e as suas instituiçons.

Jogar em campo alheio

O debate nom é tanto sobre se ir ou nom a Madrid (ou onde for), mas de saber para que e com que discurso e objetivos.

 

Breixo Lousada

A raiz das recentes crises e recomposiçons no campo soberanista, voltárom à luz debates que ficaram felizmente superados no nacionalismo há décadas, como som o da auto-organizaçom, a política de alianças ou o marco de luita.

No campo eleitoral as diferentes apostas que estám em jogo som já bem claras, mas depois da mobilizaçom estatal do 22-M pretende-se transplantar ao plano da mobilizaçom social essa mesma estratégia de dissoluçom das luitas do nosso povo em dinámicas espanholas. Só assim se explica o papel jogado pola exígua mas tam publicitada presença galega em Madrid, da que figérom parte também sectores enquadrados no soberanismo.

Apesar do seu êxito quantitativo, como era previsível a manifestaçom do 22-M ficou hegemonizada polas consignas, a simbologia e em geral a estratégia da esquerda espanhola, que tem um discurso pouco compatível co de quem desde os povos oprimidos estamos a combater este regime no caminho da sua ruptura. Por isso nom surpreende que a imensa maioria de organizaçons da esquerda soberanista do estado nom participassem ou se limitassem a enviar o seu apoio solidário e internacionalista a umha mobilizaçom onde a sua presença activa ia servir só para achegar umha pequena nota de cor legitimadora de projetos políticos alheios.

O debate nom é tanto sobre se ir ou nom a Madrid (ou onde for), mas de saber para que e com que discurso e objetivos. De feito, Nunca Máis manifestou-se em Madrid em 2003, e mais recentemente, em 2011 figerom-no conjuntamente CIG, ELA e LAB. A diferença qualitativa foi o conteúdo nacional dessas mobilizaçons, e portanto o nom estarem diluidas em dinámicas de ámbito espanhol. Pola contra, as reivindicaçons específicas dos povos sem estado nom tivérom o 22-M um papel mais que anedótico, ao igual que ocorrerá nos próximos meses em que se pretenderá seguir a atuar em base a umha agenda de mobilizaçons decidida nas reunions celebradas a nível estatal que as delegaçons autonómicas irám desenvolvendo. Do mesmo modo que com o 15-M, trata-se de gerar de novo umha dinámica mobilizadora com epicentro na capital espanhola.

Às vezes argumenta-se que assumir o marco espanhol de luita é umha necessidade prática para aumentar a efetividade da resposta, e que obviar as diferentes realidades nacionais é um mal menor para o fim superior de enfrontar os ataques do governo central. Esse é de feito o principal mantra das organizaçons sindicais ou estudantís espanholas que praticam aqui o seu sucursalismo. Frente a esse discurso, avonda constatar como nos últimos meses o movimento feminista está a dar um óptimo exemplo de como desde marcos nacionais (galego, catalám ou basco) pode dar-se umha resposta contundente, coerente e criativa contra umha agresom como é a Lei do Aborto, sem por isso submeter-nos a ritmos externos. Olhemos para a luita sindical, onde Galiza e Euskal Herria demonstram que os ámbitos nacionais som os mais favoráveis para conseguir mobilizar a nossa classe. Nom é casual que umha das reivindicaçons fundacionais do sindicalismo nacionalista seja a de dotar-nos dum marco própio de relaçons laborais, conscientes da ligaçom entre capacidade de decissom e avances sociais.

 Defender umha fictícia unidade de classe -que nunca passa dos Pireneus ou o Minho- nom pode ser a escusa para abandonar reivindicaçons nacionais que paradoxalmente hoje resultam incómodas nom só para setores sempre enquadrados num mal dissimulado espanholismo, mas também para alguns que se dim até independentistas. A solidariedade que nós defendemos constroi-se em pé de igualdade, desde os povos como sujeitos soberanos, nom subordinando-nos a um ámbito estatal de decisom (quer no eleitoral, quer no social) que nunca vai contar com a nossa realidade. Para os povos sem estado como o nosso tomar como referencial o campo de jogo do inimigo implica reforçá-lo e portanto atrasar o nosso própio projeto de emancipaçom. Por isso seria mui negativo que daqui em diante a agenda política de parte do soberanismo seja marcada desde Madrid, só para legitimar socialmente umha rendível aliança eleitoral co reformismo espanhol.

 De igual modo que nom é útil para nós esse marco estatal de luita, tampuco o som os fins que di perseguir. Nada ganhamos num suposto combate por um processo constuínte espanhol ou agitando a nossa bandeira entre tricolores espanholas. A reivindicaçom da III república quiçá tenha potencial transformador em Madrid, mas nom tem nengum aqui. Mais bem ao contrário. Frente a isso, o processo constituínte que nós defendemos será galego e só pode chegar pola via da ativaçom popular em chave soberanista. Os passos dados polo povo catalám deixam bem claro qual é o único espaço no que hoje existem horizontes realistas dum processo de mudança, de construir umha nova república (nom espanhola, mas precisamente rompendo com Espanha). Hoje é já inegável que qualquer projeto viável de transformaçom social passa pola conquista da soberania, e que as estratégias independentistas protagonizados polas classes populares som as que mais podem debilitar o estado e formular um projeto viável de mudança também no plano social.

 Por isso seguimos a defender um marco autónomo de luita de classes: nom por teimas chovinistas, mas porque pensamos que é a via mais coerente e mais efetiva para transformar a realidade, para o qual a ruptura democrática com Espanha é um passo imprescindível. Ter isso claro nom implica distanciamento nem falta de solidariedade com outros povos, nem com quem luita no coraçom do decadente império. Nom nos une a eles naçom mas sim a classe, por isso todo o nosso apoio internacionalista a quem queira ou tenha que jogar nesse marco, mas nom é o nosso e nom é legítimo que no-lo tentem impor aos povos que tentamos criar dinámicas próprias. Emancipar a nossa naçom e fazer a nossa própria revoluçom será a melhor contribuiçom à luita das classes oprimidas em todo o planeta, começando polas do próprio estado espanhol.

 Hoje mais que nunca devemos acreditar nas possibilidades do povo galego para seguir autoorganizando-se e rachar com este sistema. Confiar nas próprias forças é condiçom imprescindível para a vitória, por isso nom podemos sacrificar a necessária via galega à emancipaçom nacional e social obrigando-nos a jogar num campo alheio onde temos mui pouco que ganhar.

Socialismo: imaginar a alternativa

O papel das organizaçons revolucionárias é o de evidenciar nom só a nefasta gestom dos governos de direita (em qualquer das suas versons), mas também o cerne do problema, a estrutura social e económica que permite e promove com a sua lógica criminal que as desigualdades sejam cada vez maiores.

Breixo Lousada

Nos começos da atual crise, quiçá temendo umha resposta social que pugesse em perigo os seus privilégios, os dirigentes mundiais começárom a falar durante um tempo dumha “refundaçom do capitalismo”. Falavam daquela da necessidade de umha maior regulaçom do mercado, do controlo dos excessos especulativos e medidas similares que como bem pudemos comprovar finalmente nom só nom se concretárom, senom que som hoje condenadas como inviáveis pola maioria dos governos.

Todas essas promessas acabárom pois esvaecendo-se e a as elites políticas e económicas do centro do sistema decidírom afondar ainda mais na mesma lógica do capitalismo, levando até o extremo o modelo neoliberal que décadas atrás começaram a impor. Assim, em sociedades como a nossa pretende-se acelerar agora a transferência das rendas do trabalho para o capital, provocando em geral um maior empobrecimento da maioria social que vem acompanhado dumha degradaçom ou desmantelamento dos serviços públicos. Todo com a ajuda dum aumento da repressom e dum esvaziamento cada vez maior da democracia formal teoricamente vigente.

Todo isto, ao tempo que piora as nossas condiçons de vida, cria condiçons objectivas para organizar a resistência à dominaçom e começar a formular e construir alternativas. Pois, se bem nom é algo que tenha ainda traduçom política visível a muitos níveis, é evidente que medra o questionamento nom só das medidas impostas polo grande capital aos governos ao seu serviço, mas também cada vez mais ao próprio sistema e à sua lógica depredadora que fai possível que todo isto esteja a passar. E é neste ponto onde devemos pôr sobre a mesa o debate sobre a necessidade de pensar, defender e começar a articular um novo sistema, o socialismo.

Nesta cojuntura, pois, o papel das organizaçons revolucionárias é o de evidenciar nom só a nefasta gestom dos governos de direita (em qualquer das suas versons), mas também o cerne do problema, a estrutura social e económica que permite e promove com a sua lógica criminal que as desigualdades sejam cada vez maiores.

A mensagem anti-capitalista, o debate sobre a nova sociedade que devemos construir, nom é para nós algo que poda postergar-se para tempos melhores. É certo que agora mesmo, com umha esquerda em boa parte derrotada ou domesticada por incapacidades e renuncias -e que está ainda a recuperar-se, formular um horizonte socialista pode resultar para alguns pouco realista ou mesmo utópico. Porém, nom há maior utopia que a de pretender que as aspiraçons da maioria social podem ter saída num sistema unicamente dominado pola lógica do lucro e da acumulaçom infinita.

Sobre isto, há umha argumentaçom circular da esquerda reformista que conclui que nom há que dar determinados debates nem usar certos conceitos (como o de “revoluçom”, ou o de “socialismo”) porque a sociedade, supostamente, “nom está preparada”. Porém, é essa própria esquerda quem renuncia a “prepará-la” ao abster-se voluntariamente de abordar assuntos que julga pouco assumíveis por umha sociedade que freqüentemente subestimam.

Precisamente, poucos momentos haverá melhores que este para falar de socialismo, e nunca foi tam urgente socializar desde já a alternativa, estender entre o povo a necessidade objetiva dum novo tipo de sociedade em que os direitos nom se confundam com as mercadorias.

Tendo claro este horizonte, cumpre também entender a relaçom entre objectivos tácticos e estratégicos. É evidente que também dentro deste sistema podem conseguir-se vitórias parciais, reconhecimento de direitos, ainda que certamente o capitalismo tenha cada vez mais dificuldades para reproduzir-se e ao tempo ceder terreno na luita de classes. Porém, a evidência de que aqui e agora, ainda baixo o capitalismo, as nossas condiçons de vida poderiam melhorar substancialmente com medidas políticas facilmente aplicáveis só com existir vontade política real nom deve fazer-nos perder a perspetiva. Porque neste sistema poderemos conseguir certas conquistas, mas só estarám realmente garantidas se conseguimos tombá-lo. Tombá-lo para construír sobre as suas cinzas umha sociedade sem dominaçom de classe, sem opressom de nengum tipo, o que nós chamamos socialismo e entendemos como um processo de construçom sobre novos alicerces.

À hora de sacar à luz este debate, é útil expor de que estamos a falar no terreno do concreto. Falarmos de socialismo significa defendermos a propriedade coletiva dos meios de produçom, numha economia planificada em favor dos interesses do povo e nom das empresas, onde se garanta o reparto do trabalho e da riqueza. Implica umha sanidade e um ensino integralmente públicos e gratuitos, ou tirar a vivenda do mercado para convertê-la num direito real. Supom entender que só em base a umha planificaçom racional da atividade económica pode garantir-se a conservaçom do ambiente. É articular umha democracia participativa em que a comunidade esteja realmente implicada na tomada de decisons. Significa também que, entendendo que todas as formas de opressom (particularmente a de género) que vivemos hoje em dia som funcionais à reproduçom do sistema capitalista, estas também deverám desaparecer no novo socialismo que vamos construir.

À pedagogia socialista convêm-lhe também lembrar que hoje os governos que estám a acadar melhoras substanciais na qualidade de vida das classes populares som aqueles que estám imersos em processos revolucionários cara à superaçom do capitalismo, particularmente em América Latina, com todos os seus diferentes ritmos e contradiçons. Por suposto, Cuba é um exemplo que ilumina a humanidade e que garante que, a pesar de todas as dificuldades impostas, é possível avançar na construçom dum sistema social diferente e garantir umha vida digna à maioria.

Falar de socialismo, defendê-lo como única alternativa real e viável e formular desde já umha emenda à totalidade do capitalismo é nom só umha necessidade, mas umha urgência. Porque imaginarmos a nova sociedade é começarmos a fazê-la possível.

 

Tempo de paz em Euskal Herria: novos caminhos, mesmo destino

Situamo-nos portanto num cenário no que já só resta umha violência: a do Estado. Umha violência que manterá no entanto nom pense que lhe supom mais custes que benefícios.

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Breixo Lousada

O independentismo basco tem repetido ao longo da última década que a sua naçom está à beira dum novo cenário político, após o esgotamento do modelo estatutário, e que estám mais que dadas as condiçons para essa mudança de ciclo que abra a porta à soberania. Porém, esta mudança nom chegou ainda a ter lugar. Nom estavam realmente dadas essas condiçons ou a estratégia que se estava a seguir nom era a correta? Um amplo debate que galvanizou as bases da esquerda abertzale pareceu dar coa resposta.

A principal conclusom foi que para que essa mudança tivesse lugar era precisa umha readequaçom da estratégia seguida até o momento. Após umha profunda analise sobre as causas do actual bloqueio (tanto externas como internas) e umha necessária autocrítica, particularmente sobre o desenvolvimento do anterior processo de paz, chegou-se à actual situaçom, que tem como principal novidade que parte de toda umha série de passos unilaterais por parte da esquerda abertzale. O mais relevante deles foi a aprovaçom colectiva por parte das suas bases do documento Zutik Euskal Herria que apostava claramente pola exclusividade das vias políticas, pacíficas e democráticas para desenvolver o projecto independentista.

O Acordo de Gernika é umha das mais claras materializaçons desta aposta polo novo ciclo: aglutinando um importante número de partidos políticos, sindicatos e organizaçons sociais de todo tipo, expom umha série de exigências tanto a ETA como aos estados espanhol e francês de cara a superar o conflito armado e entrar numha nova fase de normalizaçom política. A resposta por parte dos interpelados é tam visível como previsível: ETA leva já mais dum ano sem desenvolver açons ofensivas no entanto que os estados mantenhem intactas as suas políticas repressivas.

Para quem acreditar na suposta vontade de paz do Estado Espanhol e os seus sucessivos governos, pode parecer que a contestaçom dada ante estes passos (é dizer, mais repressom) carece de lógica. Porém, essa reacçom é coerente cos seus temores. O Estado Español sentia-se muito mais cómodo num cenário de violência de ETA que lhe permitia justificar perante a opinom pública a sua política repressiva e impedir pola força um cámbio político que seria mui complicado de frear com umha esquerda abertzale legal e competindo politica e institucionalmente em pé de igualdade. Lembremos que a dia de hoje um sector mui importante da sociedade basca carece de direitos civis e políticos (reuniom, manifestaçom, sufrágio…), ou que quase 50.000 bascas e bascos formam parte já de listas negras que lhes impedem apresentar-se às eleiçons por estarem“contaminadas”, algo que fai que nom seja exagerado falar dum novo apartheid em plena Europa. Ou lembremos tamém a persistência da tortura ou da criminal política penitenciária que longe de suavizar-se mantém-se ou mesmo se intensifica na sua crueldade (dispersom, doutrina Parot…).

O último exemplo da burla que nos vendem em forma de suposto estado de direito ou independência judicial é o caso de Sortu: o novo partido político apresentou-se com um rejeitamento explícito da violência como estratégia política,mesmo cumprindo requisitos que nomse lhe exigema outras forças. Porém, tampouco foi legalizado. Quando Rubalcaba expunha a sua disjuntiva: “ou votos ou bombas”, parece que el já tinha escolhido qual preferia.

Nom é casual tampouco que se detenham e mantenham em prisom os principais impulsores da nova estratégia (começando por Arnaldo Otegi). Nem que continuem as detençons e operativos policiais contra militantes políticos sem vinculaçom com actividades armadas, particularmente jovens. Com isto pretendem provocar contradiçons e cisons, e impedir umha inevitável normalizaçom política que como muito só poderám atrasar.

Paralelamente à posta em marcha unilateral do processo de paz, iniciouse um caminho de acumulaçom de forças soberanistas e de esquerda: Euskal Herria ezkerretik, depois concretado eleitoralmente na coaligaçom Bildu (tamém ameaçada polo governo espanhol), uniu a esquerda abertzale, EA e Alternatiba en torno a um programa de mínimos que recolhe nom só a aposta polo exercício da soberania mas também a necessidade dum novo modelo socio-económico que rache co capitalismo neoliberal e a sua ofensiva contra os direitos da classe trabalhadora.

Situamo-nos portanto num cenário no que já só resta umha violência: a do Estado. Umha violência que manterá no entanto nom pense que lhe supom mais custes que benefícios. Porque do mesmo jeito que a violência de ETA foi o principal elemento deslegitimador do projecto da esquerda abertzale, um cenário de repressom unilateral do Estado em resposta à luita pacífica de massas nom poderá suster-se muito no tempo.

A nova situaçom é mui alentadora porque abre a porta a superar definitivamente o conflito armado mas tamém o conflito político. Sem ETA como escusa e sempoder recorrer à criminalizaçom, vai sermui complicado frear umha maioria social que demanda transformaçons profundas, sentando as bases para um avance do projecto político independentista e de esquerda, algo ao que nom serám (seremos) alheias o resto de naçons do estado.

Desde Sun Tzu sabemos que umha das chaves fundamentais para a vitória é saber trasladar a batalha ao terreno mais favorável. Consciente disto, a esquerda abertzale decidiu confrontar co estado exclusivamente na luita política e de massas, na acumulaçom de forças e na confrontaçom democrática, terreno onde um trabalho de base durante décadas organizando e mobilizando os sectores mais conscienciados do seu povo da-lhe umha vantagem que pode ser decisiva de cara a forçar umha mudança de ciclo que abra a porta a um horizonte estratégico que nom se alterou: a independência e o socialismo.

Breixo Lousada