Democracia interna: listagens abertas e primárias?

 
Se queremos fazer a nossa organizaçom mais democrática o que temos que conseguir é que seja o conjunto do nosso demos, da nosa militáncia, a que tome parte activa das decisons.

Diego Santório.

A finais deste mes, o Bloque Nacionalista Galego reunirá na Corunha a sua XV Asemblea Nacional, o máximo órgao de decisom política da frente. Fai-no para analisar o caminho percorrido nos últimos anos, dar os debates necessários, sintetizar diferenças e tomar resoluçons de futuro à procura da actualizaçom necessária, mais agora nun contexto de graves dificuldades.

Como é habitual aparecem já na maioria dos meios de comunicaçom duas ideas fundamentais para danarem a imagem da frente. Por um lado, apresentam o Bloque como umha teia em permanente tensom, a ponto de rachar. Por outro, umha organizaçom cheia de suposta rigidez, dirigismo, escurantismo ou outras negatividades, polo que somos chamados à “modernizaçom”, ao “aperturismo” e à reconduçom da radicalidade das posturas da frente. Assim, exacerbam qualquer diferença de opiniom dentro do BNG ou criminalizam a existência de organizaçons políticas internas, como se o monolitismo das organizaçons piramidais (as velhas e também as novas) que povoam o circo político espanhol fosse o modelo a seguir. E igualmente indicam à militancia o que deve fazer, o que deve votar nesse processo de debate interno e como deve “abrir-se à sociedade”, dividindo se é preciso a militáncia en bons ou maos dependendo do grau de coincidência com os seus desejos.

A estas formas de intervirem e manipularem os debates contribui-se se desde dentro da organizaçom há pessoas que se situam a sim próprias deliberadamente à margem da vida organizativa, ou usam com vantagismo as suas responsabilidades orgánicas ou institucionais, atuais ou anteriores, para emitirem as suas propostas, quando as regras internas oferecem espaços para o debate delas. Ou como se as suas propostas nom estivessem chegando ao conjunto da militáncia polas mesmas vias que chegam aquelas que aos meios (aos seus proprietarios) lhes parecem tam radicais, ultrapassadas e inassumíveis desde as suas próprias posiçons ideológicas.

Neste ambiente asemblear, umha das propostas que debateremos é a das listagens abertas e primárias para escolhermos o/a porta-voz nacional, os órgaos da frente e as pessoas que encabecem as candidaturas eleitorais. Existem motivos que explicam esta proposta, e o desejo da sua implementaçom neste momento concreto: un momento de exposiçom pública inusitada de ambas as propostas como método para que os partidos (falando, sobre tudo, de PP e PSOE) se democratizassem por dentro aplicando estes mecanismos. Assim, parece responder à urgência de tirar o BNG do poço da “velha política” em que foi oportunamente metido polos poderes fácticos para os que é potencialmente perigoso e também graças aos excessos do passado em favor dum institucionalismo exacerbado; identificando estas propostas como “nova política” que virá solucionar os problemas sistémicos.

Nom há, evidentemente, nada de mao em querer para o BNG a melhor imagem social possível, mas para melhorá-la de forma efectiva há que ter em conta duas cousas: primeira, que o conceito de “velha” ou “nova política” é tam difuso e tam instrumental, e depende tanto dos intereses dos poderes que o promovem, que por mais aberto, liquado e vaporoso que seja o futuro BNG, ou por moito que implemente o nacionalismo tais fórmulas, nunca será suficiente. Por que? Porque, como é sabido, o “problema” nom som as formas, senom a base ideológica mesma do projecto, a plena soberania nacional. E segunda: que a teima em parecer-se com o do lado, ainda que for esta vez para se situar nas antípodas da “dedocracia” dos partidos sistémicos, nunca é umha boa práctica para fortalecer un projecto original e necesariamente próprio como o do soberanismo galego.

A ideia de instituír um sistema de listagens abertas ou primárias para a escolha dos organismos do BNG di pretender un «avanço dos estándares democráticos» (internos). Algo incompreensível numha organizaçom que discute tudo em assembleias locais, em assembleias comarcais, e ainda, evidentemente, en organismos nacionais eleitos directamente pola totalidade da militáncia (a diferença da maioria dos partidos, onde é por imposiçom do precedente no cargo ou das respectivas baronias), e onde a Assembleia Nacional pode discutir tudo, sen limites e sen tabús de nengún tipo. Em tudo caso, poderiam ser acusados de pouco ágeis ou de adoecer dumha certa burocracia; mas nom de ser pouco avançados ou participativos, e muito menos de serem pouco democráticos: a riqueza e intensidade democrática da vida interna do BNG nom depende de ter ou nom ter listagens abertas como método de eleiçom dos membros dos órgaos.

Ademais, as consequências directas da implantaçom destes sistemas non deixam de ser, na opçom máis provável, negativas para a democracia na organizaçom. Assim, quem tiver (legítimo) interese em receber os suficientes apoios para fazer parte dum órgao, necessitando votos mais alá de onde desenvolva o seu ativismo cotiám, por acaso nom terá a tentaçom de recorrer ao espectáculo mediático? Igualmente, ese tipos de campanhas (internas ou externas) assentam sobre pontos de partida muito diferentes onde uns têm, por diversas razons (económicas, de conhecimento prévio…), vantagens insalváveis sobre outros/as aspirantes. Sabemos que non devera ser assim, mas de facto já o é em muitas organizaçons e lugares. E igualmente, nom teriam também os proprietarios dos meios de comunicaçom a tentaçom (porque a capacidade existe, bem seguro) de tentar influír nos resultados oferecendo as suas plataformas aos candidatos ou candidatas mais próximas das suas posiçons ideológicas? A resposta é evidente para ambas as preguntas, a nom ser que pretendamos viver nesse mundo maravilhoso em que umha organizaçom como o BNG nom fosse necessária.

Ademais, as listagens abertas e primárias, além da pura propaganda, poderiam provocar no BNG desequilíbrios de representaçom territoriais, sectoriais e de proporcionalidade e pluralidade que nom se poderíam corrigir, como temos visto noutras organizaçons: o sistema actual garante já a livre concorrência de quem o desejar aos organismos, a eleiçom directa de todos eles por parte da militáncia e a proporcionalidade directa na representaçom da pluralidade interna.

A proposta das listagens abertas, como a das primárias, assenta sobre un erro de cálculo tanto das consequências do que se quer implementar como do que já há. O BNG já é umha organizaçom horizontal, participativa e democrática e nom o vai ser mais porque a eleiçom dos órgaos internos ou candidatos dependa de quem é máis conhecido (nom mellor opçom para umha tarefa concreta, senom mais conhecido, polo motivo que for) dentro do particular e inevitável star system do nacionalismo galego, algo que polo tanto engadiria dificuldades para a renovaçom dos referentes públicos da organizaçom. Esta proposta nom faria mais que favorecer umha conceiçom das organizaçons políticas centradas nuns poucos notáveis conhecidos, ou directamente um funcionamento presidencialista, se a isso engadíssemos umha militancia difusa e sem conexom real com a actividade política do dia a dia, a que permite conhecer as aptitudes reais das pessoas a escolher; tal transformaria a militáncia em aderentes maleábeis, organizaçons de maneiras formalmente democráticas mas que nom têm nengum tipo de democracia substantiva interna.

Por último, estas propostas partem ademais dumha conceiçom errada e estreita no que ten a ver coa natureza do BNG: concebê-lo como umha ferramenta fundamentalmente eleitoral, cuja necessária actualizaçom organizativa, de referentes e métodos de trabalho social pode ser mais ou menos reduzida a umha nova fórmula para escolhermos candidaturas e órgaos internos. Por tanto, como resumo, estas propostas representam umha falsa soluçom, tanto para a revitalizaçom da vida interna como para a melhora da imagem pública do BNG, é dizer, nom vam servir para o que se pretende, nom son mais democráticas, e provocariam os graves problemas referidos.

A melhora da imagem social virá de várias vias: quando de maneira eficiente, através de cada gesto e cada acçom e em cada oportunidade, transparentemos os valores democráticos e de loita contra o estado atual de saqueio que som inerentes ao projecto do BNG, virá através da ampliaçom e correcçom do noso trabalho na sociedade e também através de militáncia que represente publicamente a actualizaçom da frente, algo que pode ser dificultoso no caso de serem associadas a certas etapas já passadas no BNG. 

Por outro lado, se queremos fazer a nossa organizaçom mais democrática o que temos que conseguir é que seja o conjunto do nosso demos, da nosa militáncia, a que tome parte activa das decisons. É, pois, preciso aumentar a participaçom dela nas assembleias locais, comarcais ou nacionais, fazendo que estas se perciban como instrumentos úteis de planificaçom de trabalho político na sociedade, de debate e toma de decisons; con horarios e duraçons asequíveis; e nom um espaço onde sejam refrendadas decisons já tomadas. Igualmente procurarmos adaptar as estruturas existentes ao trabalho a desenvolver e às nossas capacidades, e achar formatos que acheguem mais pessoas a fazer trabalho político e participar activamente do BNG. Esse é o verdadeiro repto para termos, dia a dia, mais democracia interna.

 

Que unidade no caminho às eleiçons gerais?

Se bem a unidade é hoje um instrumento imprescindível, nom é um fim em si próprio, mas umha ferramenta necessária desde a que somar vontades na conquista da soberania baixo um programa avançado, que reflicta a urgente realidade de hoje no campo social e na precisa ruptura democrática.

Diego Santório

Nom podemos mais que saudar positivamente o sucesso, de falarmos em termos de assistência mobilizatória, deste Dia da Pátria Galega baixo parámetros unitários. As virtualidades, nesse aspecto, deste formato fôrom evidentes, igual que podemos afirmar que a visualizaçom no conjunto da sociedade desta mobilizaçom foi corresponder-se com umha mobilizaçom claramente nacionalista. Só assim se podem compreender as contradiçons e vacilaçons suscitadas em diversos atores sobre a sua assistência, mesmo baixo uns parámetros reivindicativos facilmente assumíveis.

Porque se bem a unidade é hoje um instrumento imprescindível, nom é um fim em si próprio, mas umha ferramenta necessária desde a que somar vontades na conquista da soberania baixo um programa avançado, que reflicta a urgente realidade de hoje no campo social e na precisa ruptura democrática. É um erro considerar que a unidade tem de tecer-se baixo o parámetro do mínimo aceitável por todos os actores onde só existem cedências unilaterais duns discursos, e nom em achar um ponto comum que tenha em conta a situaçom objectiva e a correlaçom de pesos sociais e políticos de cada um para elaborar as reivindicaçons e programas.

Por outro lado, a unidade nom pode concibir-se como um apagamento das forças sociais e políticas que estruturam a sociedade, dividindo esta falsamente em “cidadáns” versus “políticos”, onde a legitimidade corresponde aos primeiros e os segundos som malignos portadores de intençons escuras, onde o primeiro é o “novo” e o segundo o “velho”. Isto só contribui ao propagamento do pensamento neoliberal de sermos só individuos onde “nom existe tal cousa chamada sociedade” (Thatcher), um individualismo atroz que pretende ocultar as relaçons de dominaçom que existem numha sociedade com profundas diferenças de classe ou género. Algo que tem relaçom com a proliferaçom de diversos chamados, manifestos e eventos digitais como forma de intervençom, que dificulta a articulaçom política numha sorte de política-espectáculo de sombras, e que, no desenvolvimento e conclusom da convocatoria, refuta a suposta inoperáncia de partidos e organizaçons como articuladores das demandas sociais, já que era fundamental a sua adesom e impulso — ou nom — à convocatória.

A unidade para o soberanismo tem de passar, entom, por considerar positiva a soma plural de organizaçons políticas, sociais e culturais, e também pessoas sem adscriçom; pola valorizaçom do caudal histórico de acertos do soberanismo galego nas suas análises sobre o carácter do Estado espanhol ou da Uniom Europeia, do papel exercido e exercente de criaçom de consciência social e nacional através das distintas loitas frente ao “sentido comum”, que nom é mais que a expressom cristalizada das ideias dominantes.

Mas nom se trata só de chegar a estas conclusons e assumí-las no plano teórico, mas de trabalhar na prática baixo estes parámetros na nossa atuaçom social, incluídos os próximos confrontos eleitorais que tem de enfrentar o nosso povo e na definiçom da alternativa que vamos apresentar à nossa sociedade nesse plano.

No panorama estatal hoje, além das forças políticas que estruturárom e dirigírom o Estado desde a Transiçom (PP-PSOE), vemos outras de carácter estatal que dim hoje impugnar esse quadro, tanto aquelas que participárom da sua criaçom (PCE-IU) como as de nova apariçom (Podemos). Mas há umha contradiçom fundamental que agroma entre essas forças do reformismo espanhol e aquelas que desde as naçons sem estado nunca aceitamos a reforma do franquismo: é o papel da soberania dos povos. Se os soberanistas galegos vimos como historicamente se faziam reconhecimentos litúrgicos do direito de autodeterminaçom no papel, que eram negados sistematicamente pola prática política, hoje os novos negam, com o mesmo fundo mas em diferentes palavras, a conquista da soberania, relegando-a a termos que aguardar a um processo de carácter estatal e à actual legalidade emanada da mesma Transiçom que supostamente rejeitam.

Frente aos “contos de fadas” de reformas do quadro constitucional a favor da autodeterminaçom (ou mesmo até de qualquer reconhecimento consequente das naçons), que requerem os inalcanzáveis ? das Cortes espanholas, já que nom há nem possibilidade de tal correlaçom nem vontade dos actores principais de qualquer reforma que reconheça os direitos nacionais plenos, a única ruptura possível desse quadro é a que hoje acontece na Comunidade Autónoma de Catalunya. Ali vemos como a clarificaçom que causa o objectivo dum Estado independente desvenda a verdadeira proposta política deste reformismo: que nada se mova se nom é teledirigido previamente desde Madrid. Assim como todo o “procés” desde há anos desvenda também qual é o único caminho possível para a conquista dumha soberania que nos permite também avançar na transformaçom social: o avanço pola via da unilateralidade.

A presença dumha voz galega nas novas Cortes espanholas, seja qual for a conformaçom final que garanta que as decisons som tomadas exclusivamente na Galiza, tem de basear-se nom só na defesa dos interesses imediatos das classes populares galegas, for de tipo laboral, ambiental, de defesa dos sectores produtivos ou qualquer outra. É precisa umha orientaçom de defesa clara da ruptura democrática com o estado espanhol, for da Galiza ou do resto de países inseridos no Estado, que denuncie a situaçom de dependência nacional que acelera o despossuimento popular. Retrocedermos a posiçons idealistas negadas pola realidade de “reformas constitucionais” impossíveis cozinhadas desde o centro, de “pactos com o Estado” para “estarmos cómodos” seria um erro fulcral: nom se trata de desprezar avanços pontuais, mas de falarmos sobre as alternativas estratégicas que defende cada quem num momento em que aparece esse debate como central.

O repto é, pois, importante: garantir a presença dumha voz galega, independente e clara, num debate central; e garantirmos essa presença em todos os campos de loita, a social mas também a institucional. Para isso precisamos pôr as nossas forças a trabalhar, com inteligência, conhecendo as nossas fortalezas e acertos, e também as nossas debilidades, para minimizá-las. Os próximos meses teremos essa oportunidade.

Política e unidade nos tempos de cólera

Un proxecto como o que representa o soberanismo galego, e unha ferramenta como o BNG, é un camiño de longo percorrido: sabemos que a liberación nacional e social do noso povo non se acadará hoxe a corto prazo porque non nacimos para xestionar un sistema que nos oprime

Ximena González e Diego Santório

A brutal crise capitalista que arrasa a nosa sociedade provoca distintas reaccións: por un lado medo, e tamén impotencia e cólera en moitos/as compatriotas, alén da aceleración dun contexto complexo de perda de dereitos, mais tamén fortes movementos de contestación ás distintas agresións sociais, raiba e loita. Neste contexto é no que opera o soberanismo de esquerdas galego, que quere ser o referente do povo que se rebela. Perante a complicada situación actual, debemos ter claro que a análise nacional-popular segue a ser correcta e adecuada para organizarnos e actuar hoxe en Galiza. Desde a preponderancia cualitativa e cuantitativamente da clase traballadora como suxeito activo do proceso de liberación, hoxe ainda maior, as clases populares galegas afrontan con mais intensidade as consecuencias da desposesión material e a incapacidade de decisión soberana sobre os seus recursos: oprimidos/as economica, politica e culturalmente, a base material da nosa economía, os recursos naturais, os servizos públicos, a enerxía, o transporte ou a nosa identidade nacional encontranse desbaldidos e atacados polos deseños foráneos e a planificación do capital. Mais existen diversas dificuldades obxectivas, tanto de caracter externo como interno, que afronta o soberanismo galego para extender unha resposta em chave soberanista e de esquerdas na nosa sociedade.

Moitas delas temolas xa analisado en diversos momentos: españolización social, hostilidade mediática, fortes compoñentes de individualismo e “antipolítica”... Isto nun momento onde permanece ainda un forte peso da imaxe de homologación coas forzas sistémicas da expresión política deste, o BNG, alén da emerxencia de outras opcións con centro en Madrid, algunhas delas de recente aparición e evolución, e de contido incerto e por veces deliberadamente indefinido.

Sendo a unidade do soberanismo galego de esquerdas un obxectivo, ese obxectivo debe estar dado en función dun proxecto político concreto. Son posíbeis unidades de acción amplas en moitas reivindicacións sociais de caracter mais sectorial, e mesmo este tipo de unidade pode facilitar outras mais avanzadas. A unidade política, for en contendas eleitorais ou mesmo de forma orgánica, ten que darse entón en base a coincidencias estratéxicas de fundo e a unha análise partillada de obxectivos e tácticas en cada conxuntura histórica. Hoxe non son posíbeis unidades avanzadas con aqueles que non aposten en profundas transformacións sociais dentro dun proceso de ruptura no Estado e aposten, sen apoio social, por meros cambios cosméticos ou con aqueles que abandonaron de facto a autoorganización como principio da loita pola soberanía por moitas reviravoltas oportunistas que podan aparecer no camiño; sabendo ademais que non basta coa mera enunciación de programa sen considerar a necesidade do carácter de movemento de masas do soberanismo. Nunca os problemas de fondo que podan existir no movemento nacionalista poderán ser arranxados con operacións de curto paso ou contraditorias que desconsideren o contexto e cambio de condicións sociais e políticas no noso país.

O desaparecemento a calquer nivel dunha alternativa nacionalista, autónoma e potente, que popularice e asente no imaxinario social a innegábel conexión entre a liberación nacional e social na Galiza, é dicir, a liberación nacional como forma concreta que adopta no noso país a liberación social, e polo tanto a sua indisociabilidade na Galiza, sería un retroceso histórico irreparábel nun contexto ademais de agudización das loitas pola soberania, que nos retrotraería mais de medio século atrás.

Resultaria paradoxal que aquilo que non conseguiu o piñeirismo dentro do campo galego fose agora acadado pola cobardía, as dúbidas internas e o efeito imitación de axentes políticos externos de carácter ainda incerto. É vital non só sabermos que o proceso de ruptura democrática que garanta os direitos nacionais e sociais na Galiza só pode vir das forzas endóxenas, e que a secundarización das loitas nacionais, cando non a frontal oposición, foi e é unha constante histórica varias veces repetida na historia do Estado español por todo o seu espectro político,mais tamén actuarmos en consecuencia.A existencia diferenciada do noso país no mundo e a garantía dos nosos dereitos só virá da ruptura democrática galega, e esa é a única via non só posíbel, mais a única realista e factíbel nun Estado como o español.

A autoorganización do soberanismo de esquerdas resulta imprescindíbel pois para a ruptura democrática e a República galega, e a consecución destes obxectivos non serán posíbeis sen a autorganización como ferramenta no desenvolvemento deste proceso. Non é a dilución do carácter autónomo do noso movimento, nen na ocultación fariseica das contradicións de clase e nacionais baixo o manto do cidadanismo, todo baseado nomedo ao “isolamento” e a “doutrina do shock” eleitoral, o camiño que nos fará avanzar: temos experimentado xa no nacionalismo como camiños que se pretendían atallos conduciron a fracasos e unha crise de debilidade que chegou no momento en que mais preciso era un perfil combativo, audaz e claro da nosamilitancia e proxecto político.

Mais a firmeza nos piares esenciais non significa que non exista a necesidade de mudanzas aceleradas na actuación, perfís e formas de interlocución social, alén de axir con honestidade, intelixencia e xenerosidade no noso contexto actual, que será a única forma de conseguirmos esa unidade ampla, avanzada, entorno ao que representa o proxecto político do soberanismo de esquerdas. Precisamos non só activar o tecido social e político do nacionalismo, ainda o mais numeroso e potente da nosa nación,mais tamén amplialo recuperando aqueles/as soberanistas que se alonxaron do noso proxecto político debido á desilusión por erros e ambiguidades pasadas. Finalmente, é absolutamente imprescindíbel traballar para que o soberanismo sexa o referente político de aqueles/as activistas sociais nos diversos campos do movemento popular, dos anti-despexos ao feminismo, do ecoloxismo e a defensa da terra ao internacionalismo, achegando persoas e colectivos á expresión política do soberanismo, o BNG. É pois esa unidade avanzada, posíbel e necesaria, a factíbel hoxe, que virá con quen acredite nas posibilidades de transformación en chave galega. 

Para ese labor, o BNG ten que transmitir contundentemente con palabras e feitos á sociedade galega que é o seu mellor aliado para facer frente ás políticas de destrución social das receitas do capitalismo transnacional, FMI ou UE. O referente político para defender os dereitos da clase traballadora, de frente e sen concesións frente ao reformismo e pactismo español. O referente na defensa da mocidade sen futuro e obrigada a emigrar, dos pensionistas que perden poder adquisitivo, das mulleres que ven roubada a decisión sobre os seus corpos, do comercio e produción alimentar de proximidade frente as transnacionais, e no combate á corrupción e pola transparencia.

A sociedade galega debe saber tamén que no caso de estarmos nas diversas institucións, faremos todo o posíbel para articular maiorias en base a este programa, e polo tanto que o bipartidismo español do PP/PSOE é un obxectivo a bater desde as nosas posicións. Aclarando que o nacionalismo e a sua expresión política, o BNG, representa un proxecto diferenciado con vontade de permanencia no tempo non debemos negarnos á interlocución ou mesmo a acordos programáticos con outros axentes, mantendo o contraste eleitoral das distintas opcións políticas. Estes acordos con outros axentes que se comprometesen con puntos programáticos destas características poderían darse a posteriori do contraste eleitoral ou mesmo antes, de se considerar necesario. Para todo isto é preciso o reforzamento organizativo como prioridade e o mantemento da liña política cun programa político avanzado que se alonxe da mera xestión, e tamén mudanzas mais inmediatamente visíbeis para a sociedade como unha renovación de métodos de traballo, nos referentes públicos que encarnan o noso proxecto, no traballo de comunicación e imaxe, e na relación cos axentes sociais que non poden ser adiadas nen un minuto mais e que moitas veces fican na mera enunciación repetitiva sen a súa posta en práctica.

O necesario reforzamento do nacionalismo non virá dado dun día para outro no actual contexto político e social: existen múltiplos campos de traballo desde a actividade militante como a elaboración de análises ou a creación de estruturas e proxectos permanentes que creen praxe nacional alén de ciclos eleitorais. O correcto encadramento e a distribución de tarefas no traballo dos/as militantes, a adecuación dos perfís a cada unha delas, a planificación conxunta dos distintos niveis orgánicos e o respeito e cumprimento deses acordos, a posta en común de prácticas e iniciativas exitosas, a preponderancia do colectivo sobre o individual, son aspectos de funcionamento ainda deficiente hoxe na nosa organización e que deben ser abordados con premura.

Un proxecto como o que representa o soberanismo galego, e unha ferramenta como o BNG, é un camiño de longo percorrido: sabemos que a liberación nacional e social do noso povo non se acadará hoxe a corto prazo porque non nacimos para xestionar un sistema que nos oprime, senón para transformalo de raíz. Un camiño que confia nas propias forzas do povo galego, sabendo que as dificuldades inmediatas poden ser moitas, mais que abandonándoo non haberá saída. Tecendo alianzas con quen concordemos no camiño, con xenerosidade e vontade de construír as alternativas mais amplas posíbeis, sabendo que o faremos desde nós propias, mudando o que teña que ser mudado para construir un mundo diferente desde unha Galiza soberana.

Diego Santório e Ximena González son membros do Consello Nacional do BNG.

Dominarmos o gume o 21 de Outubro

A luita pola igualdade, as mobilizaçons do trabalho, a defesa do público... e a criaçom de consciência e de estruturas populares a elas associadas som o verdadeiramente importante, e se a nossa atuaçom for correta, esse momento será só a constataçom da criaçom de poder popular.

SERBIAN PRESIDENTAL ELECTIONS

 

Diego Santório*

A política e a antipolítica. O capitalismo oferece-nos um espectáculo gigantesco, sim, capaz de fazer os povos aborrecer as campanhas eleitorais, mas essencialmente vazío. Aqueles que possuem quase todos os altofalantes som as mesmas versons do discurso do sistema, os que prometem mas nunca cumprem, os que denúnciam o que depois fam, um teatro contínuo com o objectivo de fazer a gente aborrecer “a política”, identificada com essa mentira exacerbada durante as campanhas. Assim, a antipolítica cresce, a confusom entre participaçom popular e campanha eleitoral medra, a indiferença reina, e o sistema continua a se legitimar, ainda que só quatro em cada dez pessoas ou mesmo menos participem, como acontece nas eleiçons às Cámaras nos EUA.

A debilidade e a fortaleza. Mas a participaçom eleitoral num cenário desenhado para o contrário é precisa. Mais de mil dias passam entre um momento e o seguinte onde a legitimidade sistémica é renovada, e esse dia é um gume afiado. Mais de mil dias onde o capitalismo funciona em toda a sua extensom, onde os que mandam imponhem a sua lei, as suas palavras, as suas coacçons diárias no centro de trabalho e a sua culpabilizaçom das desempregadas, trabalhando nas consciências, desacreditando alternativas, silenciando, e se for preciso, reprimindo com a coerçom quando o consenso nom é suficiente, milheiros de dias onde dizer cidadania é risível. É o momento do gume que é fulcral: é a renovaçom da legitimidade sistémica, a sua “festa da democracia”, o momento que permite vestir a ditadura de classe de Estado neutral e harmónico. Mas com essa legitimaçom renovada vem também a janela de oportunidade: bem sabemos que, tam pronto como se tenta variar o curso preestabelecido, tam pronto como esse momento pode escapar de ser a confirmaçom do já decidido, os lugares onde residem o poder reagem coa intensidade proporcional à ameaça sobre o seu domínio: denúncias de fraude, ameaças de ou atuaçons reais de lock-out patronal ou de desinvestimentos privados num país, ou se tudo isso nom chegar para dobregar e cooptar a esperança, golpes de Estado, invasons e esquadrons da morte. Eis é também onde a fortaleza reside, a pesar da debilidade frente a esses tantos dias: durante um só instante, um momento tam só entre milheiros de dias onde a desigualdade real é lei, as vontades prostituidas e deformadas pola alienaçom podem (começar a) torcer a mao que já escrevera a história.

O momento e o processo. Mas como chegamos a esse momento, como aproveitamos o gume? Como vencermos a alienaçom constatada nesse dia cada mil? Só no colectivo e no organizado é como podemos. Só no processo que acontece nesses dias intermédios onde qualquer reclamaçom é refugada porque a legitimidade concedida querem-na nom retornável, é como podemos. A luita pola igualdade, as mobilizaçons do trabalho, a defesa do público... e a criaçom de consciência e de estruturas populares a elas associadas som o verdadeiramente importante, e se a nossa atuaçom for correta, esse momento será só a constataçom da criaçom de poder popular. E isso só pode acontecer quando temos ferramentas colectivas que mobilizem a raiva e que organizem a classe. As explosons espontáneas, como as combustons rápidas, som efémeras, cooptáveis, facilmente manipuláveis ou desfocáveis; quando nom válvula de escape permitida e inofensiva: a ressaca pode ser a frustraçom e o caldo de cultivo possível para substituir a mentira vigente pola sua filha o caudilho.

A falsidade e a oportunidade. Mas no reino da falsidade, porque participar, porque investir esforços? Que o voto popular fosse umha reivindicaçom da classe trabalhadora, das mulheres e dos sectores populares, algo que os regimes censitários aborreciam já que pensavam que significaria a possibilidade de varrermos os seus privilégios, dá-nos umha pista. Porque indica que aí existe umha fenda pola que se pode meter a mao e tirar para romper o muro: nom a principal, mas sim bem importante. A fenda que, exercitada depois também correctamente nos lugares onde esse momento nos leva, pode ajudar a construir umha verdadeira democracia, que só pode ser exercida num sistema económico diferente, que remate com a exploraçom do homem polo homem.

E neste país a fenda possível, o momento da possibilidade, a oportunidade do gume, chama-se no político BNG, nos milheiros de dias e também este 21 de outubro.

*Diego Santório é membro da Mesa Nacional do MGS

O monstro das muitas faces

Trás a derrocada da URSS estamos perante um mundo onde se agudizam as operaçons imperialistas por distintos meios, desde a pressom diplomática, o fomento de golpes de estado ou fagressons directas: umha hidra de muitas cabeças por cortar, queimar e enterrar.

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Diego Santório

A multifacetada crise que está a viver o capitalismo tem consequências nom só a nível económico e social. O imperialismo, consubstancial à fase actual do capitalismo, continua sendo fundamental para o saqueio de recursos e o disciplinamento de aquelas zonas e estados que escapam, total ou parcialmente, ao domínio das potências hegemónicas, especialmente os Estados Unidos de América. Actúa, pois, com diferentes recursos nas distintas partes do planeta.

O golpismo em América Latina

A destituiçom do presidente do Paraguai em Junho deste ano engade-se à acontecida há três anos do presidente Zelaya em Honduras, exemplos de golpe de Estado “pseudoconstitucional” que estám a implementar as oligarquias latinoamericanas com o apoio ianque.

Usando de escusa um procedimento incluido na Constituiçom herdeira da ditadura de Stroessner, e violando o direito à defesa, um golpe de Estado parlamentar removeu em menos de 30 horas o presidente Fernando Lugo. Nele estám involucrados desde o Partido Liberal, que formara parte da aliança que desbancou o Partido Colorado, até o mesmo Partido Colorado, sectores da anterior ditadura e a embaixada estadounidense. O novo presidente Franco tem já tomado medidas para amordaçar a televisom pública, crítica com o golpe.

A aquiescência ianque, que conhecia estes planos de destituiçom de Lugo já em 2009 que se vinhérom agora cumprir, é manifesta. As mornas declaraçons de Hillary Clinton concordam com o feito de as transnacionais agrícolas dos EUA Monsanto e Cargill ter grande presença num país onde 2% da populaçom possui o 85% das terras, quando novas leis poderiam questionar o seu domínio agrícola. Também com o feito de a USAID, de onde provém a embaixadora, ter assinado protocolos de colaboraçom com os colorados, e financiar programas or mais de 60 milhons de dólares.

Fernando Lugo aceitou a destituiçom, e a reacçom popular tem sido significativa mas moderada. Isto tem causa no seu labor político: umha atuaçom tímida que nem acometera a reforma agrária, devido à pressom política no país e ao carácter heterogéneo da aliança que o levara ao cargo, e que tem como maior logro a apertura de espaços à demanda social. Igualmente, os países da zona rejeitárom o golpe e mesmo Mercosul e Unasul têm suspendido a participaçom paraguaia.

Se a intervençom dos EUA na regiom tem adoptado este carácter deve-se à mudança na correlaçom de forças, com a presença de governos de esquerda e centro-esquerda que estám a tentar umha articulaçom autónoma respeito os EUA. Assim, as intervençons som de intensidade necessariamente menor da sofrida noutras épocas (Guatemala, Chile, Nicarágua, Panamá...) e mais similar ao acontecido na Venezuela do 2002 no começo da viragem do subcontinente cara a esquerda.

Oriente Médio: intervençom com veu

A implicaçom imperialista tem sido fundamental também no Oriente Médio, onde se produzem as chamadas “revoltas árabes” com início em Tunísia. Naqueles casos onde a revolta se situava fora dos planos das potências estrangeiras e de carácter mais endógeno, como Tunísia e Egito, a sua actuaçom está baseada no encarrilamento da situaçom de forma que nom afectasse os seus interesses e os do aliado fundamental na zona, Israel. Assim, estes países fôrom levados cara abortar possíveis situaçons revolucionárias mediante a remoçom dos antigos aliados e o estabelecimento por “eleiçons livres” de governos islamistas que nom confrontassem com eles: um presidente islamista no Egito baixo supervisom do Exército mubarakista e outro do Ennahda na Tunísia.

Situaçom bem diferente tem acontecido na Líbia. No ponto de mira dos EUA devido ao seu carácter de Estado pouco confiável, a pesar dos últimos entendimentos com as potências ocidentais, a apariçom dumha oposiçom bélica com vencelhos com Al-Qaeda foi armada por estas, incluíndo tropas encobertas ocidentais e das monarquias absolutistas árabes; evoluindo do uso instrumental da ONU com sançons e zonas de exclusom aérea para a agressom militar directa da OTAN combinada com umha guerra de propaganda justificativa: apresentou-se como operaçom humanitária de ataques com alvos estritamente militares mas estes cevárom-se na populaçom civil assim como em infraestruturas básicas: escolas, hospitais, estradas e mesmo abastecimento de água. Um governo pró-ocidental e islamista tem vido à tona supervisado desde a França, implementando a sharia, com privatizaçons e retrocesso em direitos e nível de vida. Aliás, o território é controlado na prática por milícias islamistas e combates sucedem-se por todo o país, num cenário de tipo afegám.

No caminho do isolamento do Irám e com a olhada focada na China, hoje é Síria a seguinte peça a bater: num guiom semelhante ao líbio, estamos perante da apariçom de grupos armados (ELS), financiados e armados polas potências ocidentais e aliados do Golfo, da imposiçom de sançons na ONU com as reticências russas e chinesas, e da propaganda desatada. O recrudescimento dos ataques na mesma capital parecem augurar um cenário de guerra civil de resultado incerto, onde as potências ocidentais exigem a rendiçom do país, retirando um governo hostil aos seus interesses por um outro submisso.

Estamos perante o ronsel das invasons do Iraque e o Afeganistám: frente a invasons terrestres com tropas fundamentalmente estadounidenses, com altos custos económicos e de baixas dos seus soldados, e de amplo rejeitamento interno e mundial, o imperialismo reage fomentando levantamentos armados internos financiados polos seus aliados na zona, assim como pola atuaçom de serviços secretos e “forças especiais” próprias, e extrema o uso dos media mundiais para apresentar “crises humanitárias” que justifiquem as intervençons e desactivem qualquer oposiçom às suas operaçons de espólio.

Assim pois, trás a derrocada da URSS estamos perante um mundo onde se agudizam as operaçons imperialistas por distintos meios, desde a pressom diplomática, o fomento de golpes de estado ou fagressons directas: umha hidra de muitas cabeças por cortar, queimar e enterrar.

 Diego Santório é engenheiro

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