Se bem a unidade é hoje um instrumento imprescindível, nom é um fim em si próprio, mas umha ferramenta necessária desde a que somar vontades na conquista da soberania baixo um programa avançado, que reflicta a urgente realidade de hoje no campo social e na precisa ruptura democrática.

Diego Santório

Nom podemos mais que saudar positivamente o sucesso, de falarmos em termos de assistência mobilizatória, deste Dia da Pátria Galega baixo parámetros unitários. As virtualidades, nesse aspecto, deste formato fôrom evidentes, igual que podemos afirmar que a visualizaçom no conjunto da sociedade desta mobilizaçom foi corresponder-se com umha mobilizaçom claramente nacionalista. Só assim se podem compreender as contradiçons e vacilaçons suscitadas em diversos atores sobre a sua assistência, mesmo baixo uns parámetros reivindicativos facilmente assumíveis.

Porque se bem a unidade é hoje um instrumento imprescindível, nom é um fim em si próprio, mas umha ferramenta necessária desde a que somar vontades na conquista da soberania baixo um programa avançado, que reflicta a urgente realidade de hoje no campo social e na precisa ruptura democrática. É um erro considerar que a unidade tem de tecer-se baixo o parámetro do mínimo aceitável por todos os actores onde só existem cedências unilaterais duns discursos, e nom em achar um ponto comum que tenha em conta a situaçom objectiva e a correlaçom de pesos sociais e políticos de cada um para elaborar as reivindicaçons e programas.

Por outro lado, a unidade nom pode concibir-se como um apagamento das forças sociais e políticas que estruturam a sociedade, dividindo esta falsamente em “cidadáns” versus “políticos”, onde a legitimidade corresponde aos primeiros e os segundos som malignos portadores de intençons escuras, onde o primeiro é o “novo” e o segundo o “velho”. Isto só contribui ao propagamento do pensamento neoliberal de sermos só individuos onde “nom existe tal cousa chamada sociedade” (Thatcher), um individualismo atroz que pretende ocultar as relaçons de dominaçom que existem numha sociedade com profundas diferenças de classe ou género. Algo que tem relaçom com a proliferaçom de diversos chamados, manifestos e eventos digitais como forma de intervençom, que dificulta a articulaçom política numha sorte de política-espectáculo de sombras, e que, no desenvolvimento e conclusom da convocatoria, refuta a suposta inoperáncia de partidos e organizaçons como articuladores das demandas sociais, já que era fundamental a sua adesom e impulso — ou nom — à convocatória.

A unidade para o soberanismo tem de passar, entom, por considerar positiva a soma plural de organizaçons políticas, sociais e culturais, e também pessoas sem adscriçom; pola valorizaçom do caudal histórico de acertos do soberanismo galego nas suas análises sobre o carácter do Estado espanhol ou da Uniom Europeia, do papel exercido e exercente de criaçom de consciência social e nacional através das distintas loitas frente ao “sentido comum”, que nom é mais que a expressom cristalizada das ideias dominantes.

Mas nom se trata só de chegar a estas conclusons e assumí-las no plano teórico, mas de trabalhar na prática baixo estes parámetros na nossa atuaçom social, incluídos os próximos confrontos eleitorais que tem de enfrentar o nosso povo e na definiçom da alternativa que vamos apresentar à nossa sociedade nesse plano.

No panorama estatal hoje, além das forças políticas que estruturárom e dirigírom o Estado desde a Transiçom (PP-PSOE), vemos outras de carácter estatal que dim hoje impugnar esse quadro, tanto aquelas que participárom da sua criaçom (PCE-IU) como as de nova apariçom (Podemos). Mas há umha contradiçom fundamental que agroma entre essas forças do reformismo espanhol e aquelas que desde as naçons sem estado nunca aceitamos a reforma do franquismo: é o papel da soberania dos povos. Se os soberanistas galegos vimos como historicamente se faziam reconhecimentos litúrgicos do direito de autodeterminaçom no papel, que eram negados sistematicamente pola prática política, hoje os novos negam, com o mesmo fundo mas em diferentes palavras, a conquista da soberania, relegando-a a termos que aguardar a um processo de carácter estatal e à actual legalidade emanada da mesma Transiçom que supostamente rejeitam.

Frente aos “contos de fadas” de reformas do quadro constitucional a favor da autodeterminaçom (ou mesmo até de qualquer reconhecimento consequente das naçons), que requerem os inalcanzáveis ? das Cortes espanholas, já que nom há nem possibilidade de tal correlaçom nem vontade dos actores principais de qualquer reforma que reconheça os direitos nacionais plenos, a única ruptura possível desse quadro é a que hoje acontece na Comunidade Autónoma de Catalunya. Ali vemos como a clarificaçom que causa o objectivo dum Estado independente desvenda a verdadeira proposta política deste reformismo: que nada se mova se nom é teledirigido previamente desde Madrid. Assim como todo o “procés” desde há anos desvenda também qual é o único caminho possível para a conquista dumha soberania que nos permite também avançar na transformaçom social: o avanço pola via da unilateralidade.

A presença dumha voz galega nas novas Cortes espanholas, seja qual for a conformaçom final que garanta que as decisons som tomadas exclusivamente na Galiza, tem de basear-se nom só na defesa dos interesses imediatos das classes populares galegas, for de tipo laboral, ambiental, de defesa dos sectores produtivos ou qualquer outra. É precisa umha orientaçom de defesa clara da ruptura democrática com o estado espanhol, for da Galiza ou do resto de países inseridos no Estado, que denuncie a situaçom de dependência nacional que acelera o despossuimento popular. Retrocedermos a posiçons idealistas negadas pola realidade de “reformas constitucionais” impossíveis cozinhadas desde o centro, de “pactos com o Estado” para “estarmos cómodos” seria um erro fulcral: nom se trata de desprezar avanços pontuais, mas de falarmos sobre as alternativas estratégicas que defende cada quem num momento em que aparece esse debate como central.

O repto é, pois, importante: garantir a presença dumha voz galega, independente e clara, num debate central; e garantirmos essa presença em todos os campos de loita, a social mas também a institucional. Para isso precisamos pôr as nossas forças a trabalhar, com inteligência, conhecendo as nossas fortalezas e acertos, e também as nossas debilidades, para minimizá-las. Os próximos meses teremos essa oportunidade.