O portal galizalivre.org vem de publicar umha entrevista com Breixo Lousada, responsável de comunicaçom da nossa organizaçom. Reproduzimos as suas respostas a continuaçom:

Que levou a vossa organizaçom a constituir-se como voz crítica organizada no seio do BNG?

Vam já quatro anos desde que decidimos artelhar umha nova referência política no seio do BNG, e mais de um que o fazemos baixo as siglas do MGS. Por umha banda, achávamos que era precisa umha nova organizaçom política de perfil revolucionário que defendesse claramente os interesses da classe trabalhadora, pois víamos que esse era um espaço que nom estava a ser correctamente cuberto. Por outra, pensamos que é indispensável organizar-se para trabalhar pola recuperaçom dos postulados históricos do nacionalismo frentista: autodeterminaçom, democracia real, defesa dos interesses populares…. simplificando: queremos recuperar o BNG como ferramenta para a libertaçom nacional e a emancipaçom social e, a nível organizativo, apostar de novo polo asemblearismo e a participaçom da militáncia.

Outras organizaçons políticas do soberanismo galego, com um programa político semelhante ao de Movimento Galego ao Socialismo decidirom continuar a sua luita à margem do BNG. Por que vós achais que é positivo atuar desde dentro?

Acreditamos no frentismo como formulaçom organizativa acaída à realidade social e política da nossa naçom, e achamos que é fundamental garantir a unidade do nacionalismo, mais ainda neste momento histórico. Desde o respeito ao conjunto do movimento nacionalista, esteja ou nom organizado actualmente no seio do BNG, pensamos que a aposta mais inteligente passa por reforçar as posiçons de esquerda e soberanistas no seio da frente patriótica, que defendam sem complexos as posiçons de classe e um projecto independentista.

Parece que o nacionalismo maioritário nom foi quem de inserir a ideia do soberanismo e da autodeterminaçom no imaginário político do povo galego, qual é a concepçom destes termos que se maneja a dia de hoje dentro do BNG? Som estrategicamente concebidos como conceitos tabu?

Nós advogamos pola recuperaçom no discurso diário do BNG destas ideias, que durante muitos anos fôrom erguidas como bandeiras centrais do agir político da frente sem que isso impedisse um aumento da sua base social e eleitoral. É certo que co decorrer dos anos, conceitos chave que para nós deveriam ser a coluna vertebral do discurso nacionalista, fôrom perdendo peso no dia a dia e ficarom relegados em muitos casos a discursos rituais em datas sinaladas ou de consumo interno. Se bem som questons que na teoria ninguém questiona e seguem a figurar no ADN do BNG, para nós tenhem que jogar um papel muito mais importante, especialmente num momento em que está a debate a configuraçom institucional do estado co qual deveria aproveitar-se para divulgar a alternativa soberanista que á única que oferece um futuro digno ao nosso povo.

Como valorais a estrategia global da aposta do chamado “nacionalismo de proximidade”?

Às vezes apresenta-se por parte determinados sectores do nacionalismo umha falsa contradiçom entre defender os “problemas reais” da gente e a coerência ideológica ou os objectivos estratégicos. Para nós é justo ao contrário: nom existe tal contradiçom e de facto som cousas complementares. Devemos ser capazes de ligar os objectivos e conquistas imediatas com um projecto estratégico de transformaçom social. Precisamente porque sabemos que evidentemente podem-se conseguir avanços mesmo dentro do actual quadro e do actual sistema no ámbito laboral, lingüístico, etc, mas estes só estarám plenamente garantidos e consolidados logo dum cambio profundo nas estruturas económicas e políticas.

Com a vigente crise social e laboral que sofre o povo trabalhador, que medidas de urgência deveria assumir um executivo de compromisso com o país?

Medidas como as que está a defender a CIG ou próprio BNG som perfeitamente aplicáveis aqui e agora, e suporiam um cambio de paradigma ainda dentro do próprio sistema, que em todo caso debemos aspirar a superar. Falamos de políticas fiscais progressivas, de aposta pola banca pública e da reforma do sistema financeiro, reforço do gasto social ou potenciaçom do sector público. E por suposto, medidas no ámbito laboral que vaiam na linha oposta ao que se está a propor por parte dos governos: limitaçom real da precariedade e da temporalidade, impedir os despedimentos e reforçar as prestaçons, implantando um Salário de Inserçom Laboral. Tudo isto serviria para começar a avançar cara a um novo modelo económico e social diferente, e impediria que o peso da crise recaísse nas classes populares, como é evidente que está a passar actualmente.

O “culebrom” das caixas leva ocupando parte do espaço de opiniom pública dos últimos tempos. Até que punto o nacionalismo acertou apoiando a fusom do capital burguês, em numerosas ocasions contrário aos interesses do próprio país, em vez de criticar com força os seus excessos?

É evidente que o papel que jogárom as caixas nos últimos anos pouco tivo a ver coa sua teórica natureza, e assi foi criticado polo nacionalismo em muitas ocasions .
A fusom há que entendé-la nom como um fim em si mesmo, mas como o único meio possível na actual cojuntura para evitar que as caixas perdam o seu carácter galego e passem a depender totalmente de centros de decisom foráneos. Porém, além de garantir essa galeguidade, os objectivos fundamentais devem ser também que as caixas de aforro nom se convirtam na prática em bancos convencionais e que recuperem o seu papel originário como apoio à economia produtiva, democratizando ademais os seus organismos de direcçom. Nada disto deveria ser incompatível, mas complementar, à defesa da banca pública e a perspectiva de nacionalizaçons no sector bancário que recuperem plenamente o controlo da actividade financeira para o povo.

Em termos de libertaçom nacional que pode oferecer-lhe o frontismo do BNG ao incipiente auge de iniciativas de construçom nacional?

Pensamos que o abandono da “política” em favor do trabalho exclusivamente social é -ademais de criar umha divisom fictícia- o melhor favor que podemos fazer aos nossos inimigos. O afortalamento dumha ferramenta política unitária do nacionalismo deveria servir para acompanhar os avances que se dam a nível social, e estes deveriam retroalimentar-se. Isto nom é nada novo, senom que foi precisamente a fórmula que permitiu o importante avanço do nacionalismo popular durante duas décadas.
Ademais umha referência política patriótica que dispute as instituiçons deveria servir para, ainda dentro das evidentes limitaçons do actual quadro, ponher as administraçons como aliadas dos movimentos populares e nom como inimigas. Quanto a isto temos exemplos frustrantes, mas taméns outros positivos que devemos pôr em valor. Pensamos que precisamente por isso é mui importante reforçar as posiçons claramente soberanistas e de esquerda no seio do BNG, recuperando plenamente umha ferramenta que de desempenhar o papel para o que nasceu pode ser mui útil para apoiar e afortalar as loitas socias e as diversas iniciativas que desde a base floresçam por toda a naçom.

Na vossa opiniom que estrategia seria favorável para a aceptaçom do ideário nacionalista em núcleos tradicionalmente contrários como é o caso das zonas rurais?

Fundamentalmente passaria por vincular, como já se tem feito até agora com maior ou menor sucesso, as reivindicaçons nacionais coa defesa do território, do meio e do direito a viver, trabalhar e produzir na própria terra. Deve ser o nacionalismo quem veicule essas demandas e quem faga ver ademais que som todas elas questons directamente ligadas à nossa condiçom de naçom que hoje por hoje nom conta com capacidade de decisom sobre si própria, e em particular sobre os seus sectores produtivos.

Em torno à questom da língua, o momento crítico que vivemos require de formulas imaginativas que conquistem a galego falantes. Seria positiva umha decidida aposta por parte do BNG da opçom normativa que nos une com a lusofonia?

Mais alá da prática normativa que tivesse o BNG em cada momento, e das consideraçons que pudéssemos fazer disso, o BNG é formalmente reintegracionista, isto é, defende a unidade lingüística do galego-português. Nesse sentido tem impulsado iniciativas interessantes de cara ao achegamento à lusofonia, como pode ser o ensino da língua portuguesa ou a recepçom das TVs do sul do Minho na Galiza. Pensamos que umha aposta clara por essa via seria mui interessante, e nesse sentido a plena legitimaçon do nosso idioma como língua internacional que é de facto pode ajudar abrir novos caminhos para a posta em valor e recuperaçom de usos do galego que até agora nom estám a ser explorados. A assunçom prática e consequente dessa estratégia passaria tamém, como mínimo, pola fim da exclusom que por parte das instituiçons que agora mesmo sofrem os sectores que nom assumem a normativa oficial para a escrita da língua.

Para rematar comentai qualquer cousa que considerardes relevante. Obrigadas pola vossa amabilidade.

A frustraçom é amiga do sistema, e num momento como este de dura ofensiva do capital e o espanholismo é mais necessário que nunca recuperar a confiança nas nossas possibilidades e apostar na construçom de forças políticas que sejam capazes de artelhar respostas e comecem desde já a mudar a correlaçom de forças. Nessa tarefa está humildemente empenhada a nossa organizaçom.