O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou a 16 de outubro o «relatório Goldstone», que acusa Israel de crimes de guerra durante a última invasom da Faixa de Gaza. A resoluçom foi aprovada por 25 votos a favor, seis votos contra (Estados Unidos, Holanda, Ucrânia, Itália, Eslováquia e Hungria) e 11 abstençons, e abre a porta para um novo debate na Assembleia Geral da ONU.

O documento pede que a máxima instância das Naçons Unidas examine o chamado relatório Goldstone, nome do magistrado sul-africano que liderou a comissom da ONU encarregada de estudar a ofensiva de Israel contra Gaza realizada entre 27 de dezembro de 2008 e 17 de janeiro de 2009, que provocou mais de 1.400 mortos e cerca de 5.300 feridos palestinianos, na sua maioria civis.

De acordo com o relatório, Tel Aviv violou o direito humanitário internacional e fixo um uso desproporcional da força durante a operaçom «Chumbo Fundido», polo que recomenda ao Conselho de Segurança da ONU que obrigue o Estado israelita a investigar, no prazo de seis meses, os alegados crimes de guerras, e se isto nom for cumprido, exorta a que a investigaçom passe ao Tribunal Penal Internacional.

O documento acusa também o Hamas polo lançamento de ‘rockets’ contra o Sul de Israel, de forma indiscriminada.

A resoluçom aprovada em Genebra denuncia ainda o bloqueio imposto por Tel Aviv ao acesso dos palestinianos às suas propriedades e locais sagrados em Jerusalém, com base na origem nacional, religiom, sexo e idade, em violaçom dos direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais desse povo.

O documento condena também Israel, entre outros aspectos, pola confiscaçom de terras e propriedades e pola demoliçom de casas de palestinianos, e pela construçom e expansom de colónias nos territórios ocupados.

Reacçons

Israel e Hamas reagiram de forma oposta à aprovaçom do relatório Goldstone. O Hamas, apesar de criticado no documento, saudou a decisom do Conselho.

«Congratulamo-nos com a esmagadora votaçom do relatório, que deve ser levado imediatamente ao tribunal internacional para crimes de guerra para que os líderes da ocupação israelita sejam julgados pelos seus crimes hediondos», afirmou um porta-voz do Hamas, Taher al-Nunuy, em declaraçons aos jornalistas em Gaza.

Quanto a Israel, rejeitou e considerou «injusta» a decisom do Conselho. «Israel rejeita a resoluçom parcial» aprovada em Genebra pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e «exorta todos os estados responsáveis a rejeitá-la igualmente», lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita divulgado na sexta-feira.

Pola sua vez, a Liga Árabe saudou a aprovaçom do relatório, sublinhando que foi «um triunfo da justiça»